terça-feira, 3 de outubro de 2017

A pós-verdade absoluta


Hello World
      Este não é um site de fake news. Nem tem a pretensão de ser dono de toda a verdade. Até porque, são conceitos difíceis: verdade, realidade, mentira. Existem gradações. Como quem justifica que ocultar parte de um fato não é o mesmo que mentir. Ou ainda, quando notamos graus e graus de inverdades, também podendo ser chamadas de inconsistências, não sendo necessariamente falsas.

     Há quem diga que estamos num mundo de pós-verdade. Até pouco tempo, quando alguém dizia algo do tipo “isso é verdade absoluta”, poderia ter quem se levantasse e dissesse “olha, verdade absoluta é uma redundância. Se é verdade (sic) ela já é por si mesma absoluta”. E o que nós temos hoje em dia? Inconsistências, inverdades, informações que nos chegam a todo momento. Mal terminamos de digerir uma e logo vem a próxima. O senso comum pode se enganar quando acredita que está bem informado. O que isso nos significa?

     Eu imagino que, num primeiro momento, agrava o que diz o primeiro parágrafo deste texto. Se conceitos de verdade e de realidade já eram difíceis de se compreender antes, agora o são mais ainda. E muito disso por conta da própria internet e o jeito novo de se consumir informação. Antes existiam os grandes meios de comunicação de massa – rádio, jornal, televisão (cujos conteúdos certamente podem e devem ser questionados. O ponto é a quantidade de informação que chegava às pessoas no passado, muito menor em comparação a hoje). Depois vieram os computadores e o acesso à informação ficou mais fácil, ainda que, em maioria, à época, atrelado aos grandes veículos de antes.

     Aí vieram as redes sociais e, com elas, a possibilidade de o então consumidor também produzir informações, já que agora todo mundo tem um computador no bolso a todo momento. Por um lado é bom, colabora com a democracia, as pessoas ganham um jeito de externar a voz, algo que dificilmente fariam num jornal impresso ou de televisão. Por outro lado, abre-se espaço para divulgação de ideologias (sempre atreladas ao falar das pessoas, mas isso fica pra outra hora) que fortemente inclinam o conteúdo veiculado para ter mais ou menos grau de veracidade.


     Com o tempo, fomos nos acostumando a fazer recortes de quais fontes queremos obter informações. Se eu discordo do forte viés ideológico de tal site/portal/perfil, eu o desconsidero. Criamos bolhas ideológicas. Nossos feeds do Facebook e do Twitter trazem ecos de ideias que já temos e de que concordamos. Elas nos são agradáveis, então mantemos. Caso viesse algo de fora, de outra ideologia da qual discordo, esta será descartada, ignorada e o perfil bloqueado. Devo voltar nesse assunto em outro post, ele rende muito.
 
      Se antes uma pauta não chegava à televisão, hoje ela pode ser difundida na internet, via pessoas bem intencionadas ou não; sendo mais ou menos verdadeiras; produzidas por quem tem a mera capacidade de concatenar ideias e que tem à disposição um meio online, independente de ter compromisso ou não de chegar mais próximo do fato acontecido.

     O fato é fato, ele existe. Mas as interpretações acerca deste fato são dadas pelas pessoas, que veem a necessidade desse fato chegar a outras pessoas. E é nessa tradução, entre o que ocorreu e aquilo relatado sobre, que moram as construções de realidades. O que, já disse, é um problema. Caso você discorde disso, tem todo o direito. Eu apenas não consigo deixar de ver que existem mais coisas por trás.Eu queria ser que nem você, inclusive.

     Não que eu esgote todas as possibilidades de interpretações para chegar numa gramática universal das verdades em que todas as construções sobre fatos dividem uma mesma lógica em comum. Não acredito que alguém poderia ser capaz disso. Contudo, imagino que leituras possam ser feitas. Em suma, essa é a proposta do blog.

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